Etnias indígenas
Krenak
Povo do Rio Doce, os Krenak ostentam na pele tinturas da terra, recordando a sagrada conexão com o planeta. Seu rio Watu não é apenas um curso d’água, mas uma entidade viva, um ser espiritual e ancestral. Entidade que fala, escuta, adoece e ensina. Depois do crime ambiental em Minas Gerais, os Krenak choraram por ele, como quem perde um irmão. De suas lágrimas renasceu a esperança. Sua ancestralidade é diáspora permanente. Netos dos Borum e filhos dos Botocudo, a “gente da cabeça pintada” revela uma história de resistência a violências, massacres e tentativas de apagamento.
Quem são: macro-Jê do Vale do Rio Doce; descendentes dos antigos Botocudo e Borum.
Breve histórico: existem registros e relatos a seu respeito desde o século XVI (muitas vezes chamados de Aimorés). Viveram intensas guerras entre os séculos XVIII e XIX; com destaque para a Guerra Justa (1808-1822). Alvo de violência extrema nas frentes de colonização; em cercos, tentativas de aldeamentos e deslocamentos forçados, como por exemplo no Reformatório Krenak ou na Fazenda Guarani durante o século XX. Por conta disso, viveram forte processo de reinvenção identitária, de reorganização e resistência que atravessou o século XX e chegou ao século XXI, lutando por território e reparação e tendo enorme protagonismo nos desafios e debates sobre o crime ambiental no Rio Doce.
Território tradicional: Bacia do Rio Doce e Serra dos Aimorés, hoje vivem nas proximidades de Linhares.
Hoje: vivem um processo derevitalização linguística Krenak; possuem uma grande liderança nacional, Ailton Krenak, político, liderança indígena e imortal da Academia Brasileira de Letras, uma referência não só para o povo Krenak, mas para todos os povos indígenas brasileiros.
Curiosidade: Os Krenak são herdeiros diretos dos antigos Borum (Botocudo), um dos povos mais antigos e resistentes do tronco Macro-Jê. Seu nome atual — Krenak, que na língua Itchok significa “cabeça da terra” ou “gente da cabeça pintada” — designa não apenas uma identidade étnica, mas um modo de existir em profunda simbiose com o território e a natureza.


