Cronologia

Uma linha do tempo

A linha do tempo abaixo apresenta os principais marcos históricos relacionados à presença, às transformações culturais e às políticas indigenistas no Espírito Santo — desde as ocupações humanas mais antigas até os processos contemporâneos de reconhecimento territorial e afirmação identitária. Trata-se de um panorama sintético que evidencia continuidades, rupturas, migrações, conflitos, alianças, legislações e formas de resistência dos povos indígenas, permitindo visualizar como diferentes temporalidades se cruzam na formação histórica do território capixaba.

8.000 a.C.

Estimativa da chegada dos primeiros grupos humanos no atual território do Espírito Santo

4.800 a.C. 

Sambaquis mais antigos achados em Linhares, verdadeiras “montanhas de conchas”, em Lagoa Bonita 17 e Suruaca 20.

2.500 a.C.

Migrações de povos Macro-jê em direção ao litoral.

1.400 a.C.

Datações das cerâmicas mais antigas no Espírito Santo.

1000

Migrações de povos Tupi-guarani na costa.

1100-1500

Disputas de territórios entre povos indígenas no litoral capixaba e nos vales centrais.

1500

A esquadra de Pedro Álvares Cabral chega ao Brasil.

1553

Chegada de Vasco Fernandes Coutinho ao Espírito Santo, que encontra o território densamente ocupado por diversos povos indígenas.

1555-1600

Alianças entre os Temiminó e partes dos Tupinikim com os portugueses.

1557-1560

Fundação do Aldeamento de Reritiba por Anchieta.

1558

Criação da Aldeia de São João em Carapina por Braz Lourenço.

1559–1570

Maracajaguaçu e D. Branca se aliam aos jesuítas e a Vasco Coutinho.

1560

Criação do Aldeamento de Nossa Senhora da Conceição na Serra.

1566

Criação da Aldeia do Cricaré, no Rio São Mateus por José de Anchieta.

1570–1609

Participação dos Temiminó nas guerras contra Tamoios e Goitacá no Rio de Janeiro e no sul da capitania do Espírito Santo.

1570

Lei de D. Sebastião autorizou a escravização dos indígenas “hostis” à Coroa portuguesa, posto houve forte resistência por parte de várias etnias indígenas defendendo seus territórios dos colonizadores.

1585-1600

Vários núcleos criados, como Aldeia de Nossa Senhora da Conceição em Reritiba (Guarapari), Aldeia Nova (Aracruz), Nossa Senhora da Conceição (Serra), Reis Magos (Nova Almeida), São João e Nossa Senhora da Assunção (Anchieta) e Aldeia dos Índios – Vila dos Jesuítas (Guarapari).

1609

Decreto com a proibição da escravização indígena nas terras do Reino de Portugal, ignorado no Brasil.

1620-1670

Expansão da ação jesuítica na costa e “descimentos” de indígenas para o litoral no norte e sul do Espírito Santo.

1686

Promulgação do Regimento das Missões reorganizando as aldeias e seu funcionamento no Brasil sob administração dos jesuítas.

1757

Publicação do Diretório dos Índios pelo Marques de Pombal definindo relações de trabalho indígena devido à intensa escravização dos povos originários.

1759

Expulsão dos jesuítas do Brasil e secularização das aldeias e aldeamentos indígenas pela Coroa Portuguesa.

1750-1800

Intensas rivalidades entre indígenas e colonos no Vale do Rio Doce e no Rio Cricaré no norte do Espírito Santo.

1808-1822

Guerra Justa, decretada por D. João VI contra os Botocudo, que foi usada contra os Botocudo, mas também a outras etnias consideradas hostis.

1810-1824

Viajantes estrangeiros percorrem o Espírito Santo, relatando sobre a natureza e os povos indígenas (Spix, Martius, Neuwied, Saint-Hilaire).

1811-1820

Episódios de resistências e ataques indígenas nas regiões de Linhares e no vale do Rio Doce, mas também muitos massacres contra os Botocudo e outras etnias.

1820-1870

Criação das divisões militares do Rio Doce, com quarteis e fortes para permitir a expansão da colonização e ocupação de terras indígenas em Pancas, Linhares, São Mateus, Baixo Guandu.

1824–1889

O Império brasileiro reconhece os “índios civilizados” como cidadãos, mas dissolve as aldeias em todo território nacional.

1845

Criação do Aldeamento Afonsino em Castelo para conter ataques dos Puri e publicação do Regulamento das Missões, procurando reorganizar as aldeias e combater a escravização dos indígenas, estipulando a criação de aldeamentos oficiais para acomodar populações remanescentes.

1850

Adoção da Lei de Terras que converteu praticamente todas as terras indígenas como terras devolutas ou como terras pertencentes ao Estado.

1854

Criação do Aldeamento Imperial de Mutum na região de Pancas a fim de ampliar a assimilação de indígenas naquela região

1855

Criação do Aldeamento Imperial de Muqui para receber descendentes de índios aldeados e caboclos na porção sul do Espírito Santo.

1860-1880

Decadência dos aldeamentos imperiais devido à falta de recursos, fome, invasão das terras por fazendeiros e grileiros, mortalidade por doenças e assimilação dos indígenas como trabalhadores escravizados ou mal remunerados.

1874–1883

Vinda da Comissão Geológica do Brasil, chefiada por Charles Frederick Hartt que incluía observações geológicas e etnográficas sobre indígenas, especialmente Botocudo e Maxakali.

1880-1890

Nova onda de antropólogos e viajantes estrangeiros visitam o Espírito Santo e relatam sobre povos indígenas (Ehrenreich, Teresa da Baviera).

1910-1917

Criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão Criado para prestar assistência aos indígenas, por Cândido Rondon, voltado para integrar os povos originários à sociedade nacional.

1920-1930

Remanescentes Borum e Guerém são mencionados em relatórios do SPI como “aldeias extintas” no vale do Rio Doce.

1930-1940

Várias expedições de antropólogos europeus e brasileiros (Emmerich, Loukotka, Métraux) são feitas para estudar os povos indígenas no Espírito Santo.

1940-1950

Criação de postos indígenas para atração e controle das populações indígenas remanescentes (Rio Eme, Rio Pancas e Rio Doce).

1943

Criação do Dia do Índio.

1967

Criação da Funai, vinculada ao Ministério da Justiça responsável por coordenar a política indigenista no Brasil em substituição ao SPI.

1968-1972

Criação do Reformatório Krenak em Resplendor-MG pela Ditadura Militar onde indígenas foram presos, torturados e mortos. Mais de uma centena de indígenas foram presos, de 23 etnias diferentes de vários estados do Brasil.

1972-1979

Criação da Fazenda Guarani em Carmésia-MG onde mais de 400 indígenas foram aprisionados e sofreram violências.

1973

Criação do Estatuto do Índio (Lei nº 6.001) regulamentando a situação jurídica dos indígenas, abrangendo temas como integração, tutela e proteção de sua cultura

1979–1983

Primeiros movimentos de retomada da terra pelos Tupinikim e Guarani em Aracruz.

1988

A nova Constituição Federal reconhece o direito originário dos indígenas sobre suas terras e a sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições.

1991-1995

Reocupações e reivindicações de território Tupinikim e Guarani em Aracruz.

1996

Reconhecimento e delimitação da Terra Tupinikim em Aracruz.

1999 

Criação da Lei Arouca que instituiu o subsistema de atenção à saúde indígena no Brasil.

2007

Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

2008

Declaração da obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” em todo Brasil pela lei 11.645.

2009

Decreto nº 6.861 que dispõe sobre a educação escolar indígena, estabelecendo seu caráter diferenciado, intercultural e bilíngue. 

2012

Instituição da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas.

2021

Reconhecimento da aldeia Paulo Jacó dos Pataxó em Conceição da Barra, São Mateus.

2022

Criação do Dia dos Povos Indígenas, revogando o Dia do Índio de 1943.

2023

Delimitação da Terra Indígena Krenak em Resplendor MG; criação do Conselho Nacional de Política Indigenista; comunidade em Linhares inicia seu processo de etnogênese Botocudo; e aprovação da Lei do Marco Temporal pelo Legislativo.

2025

Concluída a publicação dos 12 volumes da Coleção História dos Povos Indígenas no Espírito Santo.

Rolar para cima