Etnias indígenas

Coroado

Povo das coroas de penas e do rumor das serras, os Coroado viviam entre o frescor dos rios e o sopro das árvores nas montanhas. Parentes dos Puri, em pequenos grupos sobreviviam ao longo de rios e vales da serra capixaba e mineira, da caça, pesca, coleta e do cultivo de mandioca, do milho, da abóbora e da batata-doce. Caminhavam leves, sem deixar pegadas, e a chuva ainda esparge seus nomes na terra úmida. Quando suas fogueiras se apagaram, seu espírito vivo saltou no ar, confiando sua língua ao canto dos pássaros. Sua história fragmentária sobrevive, nos costumes, na paisagem em seus descendentes.

Quem são: etnônimo histórico aplicado a diferentes grupos na região Sul e Sudeste do Brasil; no Espírito Santo estão associados a populações Puri, posto dividirem os mesmos territórios.
Breve histórico: registros desde o XVII; sobretudo de tensões com os Puri, com os quais tinham conflitos, mas também alianças; seu estudo é dificultado por ser uma designação colonial bastante genérica, identificando indígenas que usavam “coroas de plumas” – algo que praticamente todos usavam. Os relatos falam de sua dispersão no XIX e também conseguiram preservaram alguns vestígios lexicais, etnográficos e alguma iconografia.
Território tradicional: Fronteira sul entre Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, vales do centro-sul capixaba.
Hoje: pesquisa histórica crítica que procura localizar os Coroado desambiguando-os de uma atribuição errônea, procurando uma identificação precisa de descendências e memórias.
Curiosidade: Considerados pelos colonizadores como desumanos e intratáveis, Auguste de Saint-Hilaire, no início do século XIX disse que eram a tribo mais feia que havia conhecido: baixinhos, tinham a cabeça grande e achatada, eram sujos e um pouco estúpidos.

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