Etnias indígenas
Botocudo
Povo do arco e da bravura, de passos vigorosos e olhos atentos, os Botocudo vivem onde o rio e a mata se entrelaçam, na bacia do Rio Doce, coração do Espírito Santo. Admirados e temidos, foram alvo de muitos olhares curiosos sobre seus modos de viver. Durante muito tempo pensaram ser eles os únicos canibais em terras capixabas. Mas não. Por conta de tanta incompreensão receberam pena de morte; a Guerra Justa. Apesar do genocídio documentado, os Botocudo resistiram, com o corpo pintado, seu templo sagrado de ancestralidade. Da madeira fizeram adornos, do bambu flautas e com mão firme, altivez e força, mantiveram a dignidade sem se curvar ao colonizador.
Quem são: macro-Jê do Vale do Rio Doce; conhecidos pelo uso de botoques (lábio/orelha) e por estratégias de resistência. Autodenominações: Bürũ/Borum (“a gente”) e Krenak (grupo atual).
Breve histórico: registros desde o sécúlo XVI (Aimorés); intensas guerras entre os séculos XVIII e XIX; sofreram violência extrema nas frentes de colonização; cercos, aldeamentos e deslocamentos forçados; séculos XX–XXI tentativas de retomada e etnogênese em Linhares.
Território tradicional: Bacia do Rio Doce e Serra dos Aimorés; ocupando grande parte da região central do Espírito Santo
Hoje: revitalização linguística Itchok; lutas por retomada identitária.
Curiosidade: Os Botocudo são a etnia cuja resistência ao colonizador durou mais de 500 anos, desde quando estes pisaram na costa brasileira. Devido às suas frequentes contra-ofensivas e ataques a vilas, fazendas e aldeias, os Botocudo sofreram violências sistemáticas, e foram o principal alvo da Guerra Justa decretada por D. João VI entre 1808 e 1824.


