Arqueologia
Arqueologias da ancestralidade
O povoamento do atual território capixaba remonta há mais de oito mil anos. Caçadores, coletores, agricultores e ceramistas habitaram as margens dos rios, das lagoas e do litoral, deixando vestígios de uma cultura material sofisticada. A arqueologia revela continuidades entre esses povos e as etnias históricas conhecidas como os Goitacá, os Tupinikim, os Puri e tantos outros.
Os sambaquis: montanhas de memória
No litoral capixaba, sobretudo em Anchieta, Guarapari, Marataízes, Aracruz e Linhares, encontram-se os sambaquis, enormes montes de conchas, ossos de peixes, restos de fogueiras e sepultamentos humanos. Eles fazem parte de uma vasta tradição que vai do sul de Santa Catarina até o nordeste brasileiro. Eram espaços de vida e de morte: serviam como locais de moradia, cemitérios e centros rituais. Alguns chegaram a ter mais de 30 metros de altura e centenas de metros de extensão.
Pinturas e gravuras rupestres
Por volta de 1.200 a.C, aparece a cerâmica no Espírito Santo. Essa inovação possibilitou armazenar alimentos, água e comida; preparar comidas diferentes no fogo; servia para integrar rituais fúnebres, como urnas funerárias, revelou trocas culturais entre grupos distintos.
Cerâmica e transição cultural
No interior do Espírito Santo, a cerâmica encontrada é mais simples, de paredes grossas e pouco decoradas. Esse tipo está associado aos povos do tronco Macro-Jê: Botocudo (Borum/Krenak), Maxakali, Puri, Coroado, Pataxó e Guerém. Eram comuns as grandes urnas funerárias e recipientes de vários tamanhos. Mas isso em tempos bastante recuados, porque depois ocorreram trocas culturais e elementos da cerâmica tupi foram, aos poucos, assimilados e vice-versa.
Cerâmica e tradições Macro-Jê
No interior do estado, no Caparaó e em Linhares, foram encontradas pinturas e gravuras rupestres confirmadas por arqueólogos. Esses registros mostram figuras zoomórficas e geométricas que tiveram comprovação arqueológica. Eles são uma janela para o imaginário dos povos pré-históricos, revelando práticas religiosas, cosmologias e a relação com o ambiente natural. No caso de Castelo, na Gruta do Limoeiro, o tipo das paredes, sua porosidade e umidade podem ter dificultado a fixação de inscrições, mas há indícios que existam também lá.
Cerâmica Tupiguarani
A cerâmica da tradição Tupiguarani é mais elaborada: potes bem modelados, decorados com pinturas e incisões geométricas, usados tanto no dia a dia quanto em rituais funerários. Mas também faziam vasos de tamanhos variados. Com diferentes tipos de desenhos.
Objetos líticos e arte rupestre
Ferramentas de pedra (pontas de flecha, raspadores, machados) também foram encontradas em várias regiões, associadas tanto a povos Tupi quanto Macro-Jê. Estavam presentes desde a pré-história em comunidades humanas que habitavam o território do Espírito Santo. O uso de abrigos rupestres no Caparaó e em Castelo revelam muitos achados arqueológicos significativos, desde os tempos pré-históricos. E embora não seja possível associar diretamente a um povo específico, os achados reforçam a presença de sociedades complexas no interior capixaba.
Conexões interétnicas
As tradições arqueológicas também revelam zonas de contato entre etnias: 1) Em Aracruz e Guarapari, há sobreposição de sambaquis reutilizados por povos Tupi e Macro-Jê; 2) No Rio Doce, a cerâmica e os líticos apontam convivência de Botocudo com Puri e Coroado, pressionados pela colonização; 3) No norte (São Mateus e Itaúnas), Guerém, Borum, Maxakali e Pataxó compartilham territórios arqueológicos; e 4) No sul (Anchieta, Guarapari, Rio Novo do Sul), Tupiniquim, Temiminó, Puri e Borum se cruzaram em aldeamentos e em espaços coloniais como Reritiba e Guarapari.
